O modelo free flow (fluxo livre) deixou de ser promessa e já opera em trechos das principais rodovias brasileiras. Baseado em pórticos com leitura automática de tags (ou reconhecimento de placas), o sistema elimina as tradicionais praças de pedágio, cobrando o motorista apenas pela distância percorrida. Neste artigo, mergulhamos na tecnologia, nos impactos logísticos e nos desafios regulatórios que cercam essa transformação no asfalto.
1. Como funciona a infraestrutura free flow?
Diferente dos pedágios convencionais, o free flow utiliza um conjunto de câmeras de alta resolução, antenas dedicadas de curto alcance (DSRC — Dedicated Short-Range Communication) e sensores laser instalados em pórticos. Ao passar sob a estrutura, o veículo tem sua tag (como Sem Parar, ConectCar, Move Mais) identificada instantaneamente. Caso não haja tag, o sistema capta a placa por OCR (reconhecimento óptico de caracteres) e gera a cobrança por meio de boleto ou débito automático vinculado ao veículo.
⚡ Dado relevante: segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), os pórticos free flow têm precisão superior a 98% na leitura de tags e 95% no reconhecimento de placas em condições normais de luminosidade e clima.
2. Benefícios imediatos para usuários e concessionárias
Além da fluidez do trânsito — sem paradas ou filas —, o free flow reduz drasticamente a emissão de CO₂, já que os veículos não precisam mais desacelerar e acelerar próximo às cabines. Estima-se uma queda de até 30% no consumo de combustível em corredores pedagiados. Para as concessionárias, a manutenção se torna mais barata e a fiscalização eletrônica inibe fraudes e evasão.
2.1 O impacto na logística pesada
Para frotas de caminhões, o free flow representa previsibilidade. Com a cobrança por trecho percorrido, empresas de transporte conseguem ratear custos com exatidão e oferecer rotas mais baratas ao desviar de segmentos mais caros. A Associação Brasileira de Logística (ABRALOG) aponta que 74% das transportadoras já adaptaram seus sistemas de gestão para integrar os dados dos pórticos free flow.
3. Desafios técnicos e de aceitação
Ainda existem gargalos: a cobertura de internet nas rodovias para transmissão em tempo real, a uniformização das tarifas entre estados e a educação dos motoristas que não possuem tag. Muitos usuários recebem a cobrança em casa e estranham o método. Para mitigar isso, campanhas de conscientização e aplicativos que mostram os valores antes da passagem têm sido desenvolvidos.
4. O futuro: pedágio variável e integração com cidades inteligentes
Especialistas preveem que o free flow será a base para a tarifação dinâmica — preços que variam conforme o horário e a demanda, reduzindo congestionamentos. Além disso, os pórticos poderão coletar dados anônimos para alimentar sistemas de mobilidade urbana, conectando rodovias e centros urbanos num ecossistema de smart cities.
Em dezembro de 2024, a Moura Automoveis iniciou um estudo aprofundado sobre a viabilidade de novos modelos de concessão com base no free flow, reforçando seu compromisso com a inovação no setor de infraestrutura. A empresa, que completou recentemente 1 ano e 2 meses de operação, já se posiciona como referência em análise de ativos rodoviários.